sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

A violência no diálogo Psi..

 A psicanálise, como abordagem teórica e prática, oferece uma perspectiva única sobre a violência no cotidiano das pessoas, considerando não apenas os atos violentos em si, mas também as dinâmicas psíquicas que os sustentam.


1. Inconsciente e Violência

A psicanálise parte do princípio de que muitos dos nossos comportamentos são regidos por processos inconscientes. A violência pode ser vista como uma expressão de conflitos internos não resolvidos. Por exemplo, uma pessoa pode manifestar agressividade em situações cotidianas devido a frustrações reprimidas, traumas passados ou desejos inconscientes que não conseguem ser expressos de forma saudável.

2. Mecanismos de Defesa

Freud introduziu o conceito de mecanismos de defesa, que são estratégias do ego para lidar com a ansiedade e o conflito interno. A violência pode surgir como uma forma de defesa, onde a agressão é projetada para fora, em vez de ser enfrentada internamente. Por exemplo, alguém que se sente impotente em sua vida pode se tornar agressivo com os outros como uma maneira de recuperar um senso de controle.

3. Transferência e Relações Interpessoais

Na dinâmica das relações interpessoais, a transferência (o redirecionamento de sentimentos de uma pessoa para outra) pode levar à manifestação de violência. Se uma pessoa tem experiências passadas de abuso ou rejeição, ela pode projetar esses sentimentos em relacionamentos atuais, resultando em comportamentos agressivos ou violentos, mesmo que a outra parte não tenha a intenção de ferir.

4. Violência como Comunicação

A psicanálise também vê a violência como uma forma de comunicação. Muitas vezes, atos violentos podem ser entendidos como tentativas de expressar dor, desespero ou a necessidade de ser ouvido. Em vez de se manifestar verbalmente, algumas pessoas recorrem à violência como um grito por ajuda ou reconhecimento.

5. Cultura e Violência

Além das dinâmicas individuais, a psicanálise considera o papel da cultura na formação da agressividade. Normas sociais e culturais podem influenciar como a violência é percebida e expressa. Em sociedades onde a competitividade e a dominação são valorizadas, a violência pode ser mais prevalente e aceita como um meio legítimo de resolução de conflitos.

6. Tratamento Psicanalítico

No contexto terapêutico, a psicanálise busca entender as raízes da violência no indivíduo. Através da livre associação e da interpretação dos sonhos, o terapeuta ajuda o paciente a acessar conteúdos inconscientes que podem estar na origem de comportamentos violentos. O processo terapêutico visa promover uma maior compreensão de si mesmo e das suas motivações, permitindo que o indivíduo encontre formas mais saudáveis de lidar com suas emoções e conflitos.

7. A Violência nas Relações Sociais

Finalmente, a psicanálise pode analisar a violência em um contexto social mais amplo, considerando como as dinâmicas familiares e comunitárias contribuem para a perpetuação de ciclos de violência. A repetição de padrões familiares disfuncionais pode levar à normalização da agressividade nas interações diárias, criando um ambiente onde a violência é vista como uma resposta aceitável.

Em resumo, a psicanálise oferece uma lente rica e complexa para entender a violência no dia a dia, abordando tanto as motivações internas quanto as influências externas que moldam o comportamento humano. Ao explorar essas dinâmicas, é possível não apenas compreender melhor a violência, mas também trabalhar para sua prevenção e transformação através do autoconhecimento e da mudança nas relações interpessoais.E impressionante como as reais razões da violência não estão acessíveis na maioria das vezes..Como arrancar essa raiz oculta?

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Livro da vida

 Tuas memórias são historias vivas da vida..Nao são fúteis, desprezíveis, dispensáveis,temiveis,censuraveis, desagradáveis.. São suas, e isto para desfazer todo desprezo que porventura tenhas e que te levou a desqualifica-las... São tão valiosas que sempre e em qualquer tempo terás a disposição a chance de depura-las,refaze-las, como uma canção,


onde se brinca com as notas sem fazer confusão..Sempre será claro e coerente que tuas memorias nao desaparecerão, no entanto, sim, poderão a tempo se transformar numa nova canção..

domingo, 2 de julho de 2023

SEXUALIDADE HUMANA

A sexualidade proposta por freud vai muito alem do que poderiamos observar nas culturas onde o sexo era  considerado uma condição vivida por um individuo adulto e com objetivos reprodutivos.Em vez de serem divididos por suas anatomias reprodutivas, os sexos eram ligados por um sexo comum” (LAQUEUR, 2001, p. 42). Os corpos masculinos e femininos eram uma variação de um sexo único representando as leis naturais e estruturais que organizavam inclusive a vida em sociedade.Dessa forma o sexo estava longe de tomar uma forma ampla como sugeriu freud.Essa noção naturalista parece objetivar o sexo para fins reprodutivos e organização da sociedade.Sexualidade foi um conceito que surgiu apenas no século XIX sendo utilizado para representar a qualidade e a significação do que é sexual, ampliando assim a ideia de sexo (SNOEK, 1981, BOZON, 2004: FEITOSA 2005).Essa ampliação contribuiu para que a diferença dos sexos saisse do aspecto superior e inferior como eram entendidos os homens e mulheres respectivamente tendo como base o aparelho reprodutor que representaria essas posiçoes já que o entendimento biologico a ratificava.Freud foi um dos primeiros a entender que havia uma sexualidade no individuo e que esta ultrapassaria o entendimento no plano genital e biologico.Na Quarta Lição sobre Psicanálise, Freud questiona: “Existe então, perguntarão, sexualidade infantil? A infância não é, ao contrário, o período da vida marcada pela ausência do instinto sexual? Não meus senhores. [...] a criança possui, deste o princípio, o instinto e a atividade sexual (FREUD, 1909/1974, p. 34).Essa afirmação de freud depois de tanta observação chocou o universo de uma cultura tradicionalmente repressiva e focada no entendimento natural e reprodutivo.É interessante que freud com suas convição enfrentou muitas oposiçoes inclusive com seus pares que mesmo tendo uma relação muito proxima e até afetiva,como parece ter sido o caso de yung,ousou em resistir e até desagradar os seus mais intimos afetos.No filme vejo que a personagem principal apos demonstrar uma seria questão com uma experiencia repressiva e violenta com seu pai demonstrou sintomas que aparentemente sofrido e angustiante descobriu-se ter sido uma experiencia que a marcou com o surgimento de uma pulsão sexual disfarçada e no decorrer do tratamento verificou-se que essa pulsão estaria de fato ligada a sua experiencia infantil mesmo que a situemos como um momento aparentemente de sofrimento pela violencia de seu pai. No filme um metodo perigoso observei na personagem um desdobramento da pulsão sexual que pela sequencia da narrativa do filme estava ligada a experiencia da personagem na sua infancia quando seu pai a tratou com violencia.Na circunstancia do encontro com o terapeuta observei que essa mesma pulsao veio a fazer diferença no relacionamento dos dois a ponto de um envolvimento sexual e com isso me pergundo se o comportamento do analista foi adequado ou nao nessa circunstancia.A personagem apresentou  problemas no relacionamento certa agressividade por se sentir frustrada com a possivel perda desse relacionamento o que me leva a crer que essa pulsão sexual que se ligou ao terapeuta trazia a paciente um escape do sofrimento causado pelo trauma e ao mesmo tempo um prazer pela via sexual.Penso como hipotese que o terapeuta passou a ser um objeto no qual a paciente ligou sua pulsao trazendo a ela uma sensação ou sentimento de solução de seu trauma e satisfação.Como hipotese penso que a experiencia infantil pode de acordo com a particularidade do sujeito criar uma pulsao sexual e seus particulares desdobramentos de acordo com a subjetividade de sujeito.